Das aulas de inglês à profissão de tradutor juramentado, passando pela sociedade em um tradicional curso de idiomas

Como muitos dos meus colegas, comecei a trabalhar dando aulas de inglês. Na verdade, comecei cursando engenharia, mas hoje, posso afirmar com toda a certeza, que essa área nunca foi a minha praia. Dei aulas de inglês em diversos cursos, como Brasas e Cultura Inglesa, para o vestibular Miguel Couto e até no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Na década de 90, juntamos um grupo de colegas, todos professores de inglês, e resolvemos comprar o nosso próprio curso – o Flash! Idiomas, há 20 anos no mercado.

Já a área de tradução, vislumbrei há dez anos. Realizava esta atividade de modo informal, mas meu primeiro trabalho remunerado foi para uma cadeia de lojas, que nem existe mais. Na ocasião, traduzi um manual de geladeira e, como pagamento, recebi uma TV de 14 polegadas com um vídeo cassete embutido.

Fui para a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), onde ouvi falar pela primeira vez em tradução juramentada – somente se qualificava como tradutor público quem fosse aprovado em concurso. Aí estava o problema: o último concurso para o Rio havia ocorrido em 1986 e comecei a ouvir boatos de que um novo estava para acontecer na cidade em 1998. Comecei a estudar para a prova, mas ela não foi realizada.

Então, descobri que iria ter o concurso em São Paulo e fui para lá fazer a prova e passei. Esse concurso foi um divisor de águas. Comecei a trabalhar e, durante dois anos, fiquei em São Paulo. Ao ser transferido para o Rio de Janeiro, comprei mais computadores e o Flash! Idiomas passou a atuar também como agência de tradução. Soubemos aproveitar bem a vocação do Rio como polo produtor de petróleo e hoje as grandes empresas do setor de óleo e gás são os nossos maiores clientes.

Este ano, encaramos nosso maior desafio: vencemos a licitação para ser o tradutor oficial da quinta edição dos Jogos Mundiais Militares. Durante o evento, cerca de 70 profissionais fizeram de tudo um pouco para o sucesso dos jogos, sendo que a maioria dominava mais de três idiomas. Atuei na coordenação do evento. Tínhamos que estar nas arenas e nas vilas dos atletas.

Além disso, fomos os responsáveis pela tradução das notícias do site oficial, que iam ao ar em tempo real. Recordo de uma atleta sueca de tiro que parecia triste. Perguntei o que estava acontecendo e ela me explicou que era a atual campeã olímpica, mas que, no entanto, havia se saído muito mal naquele dia. Parecia aliviada em ter alguém com quem conversar e acabou me contando que havia perdido seu marido há um mês, em um acidente automobilístico. E só estava casada há três meses.

Esta profissão permite muito a troca de experiências. Vou contar para vocês aqui, no Diário de Carreira, os principais desafios e benefícios da carreira de tradutor.

 

Por *Paulo Macedo.  Diretor e tradutor juramentado e sócio do Flash Traduções.
Artigo publicado no Jornal “O Globo”.